27 novembro 2005

O Grêmio passou trabalho

"Até a pé nós iremos
Para o que der e vier
Mas o certo é que nós estaremos
Com o Grêmio onde o Grêmio estiver..."
(Lupicínio Rodrigues- Hino do Grêmio)

Eu assumo: não entendo muito de futebol. Está certo que não pergunto "quem é aquele cara de preto com apito no meio do campo",mas ainda não sei direito quando é falta ou impedimento.Vou aprender.
Faz muitos sábados que venho acompanhando os jogos desse time do sul.Meu namorado é gremista e vou confessar: estava adorando marcar ponto sempre em frente à TV. Não só para ver a maneira como o "GA(la)TTO agarra, mas também para acompanhar o meu namorado( que por sinal, é um gato e também agarra muito bem!) nesse programinha.
Sempre sofro em Copa do Mundo-fico apreensiva,com o coração na boca-não consigo pronunciar uma palavra. Pela primeira vez, no jogo desse sábado,no Estádio dos Aflitos,durante a partida do Grêmio com o Náutico fiquei assim,com os olhos arregalados e sem conseguir pronunciar uma palavra.
O goleiro do Grêmio agarrou dois pênaltis-nos 34 minutos do segundo tempo,uma briga dos gaúchos com o juíz parou a partida. Os maços de cigarro do meu namorado já estavam acabando- minhas unhas também.
A confusão foi contida e a bola voltou a rolar no campo. Anderson, o jogador de 17 anos que,para o técnico do time, não deveria disputar essa partida( "Só porque tu queres"),saiu em disparada e marcou o gol da vitória.Detalhe: o Grêmio estava com apenas 6 jogadores-os que completavam o time haviam sido expulsos.
Alguns torcedores do Náutico deixaram o estádio.Os Gremistas fizeram a festa-só não lembro de ter visto aquela típica comemoração que fazem: todos descendo a arquibancada e depois subindo,de volta aos lugares.
Só sei que eles subiram sim-para a Primeira Divisão. Meu namorado disse que agora, só no ano que vem. Até lá aprendo as regras e espero não ver mais o Grêmio "passar trabalho",afinal, é uma "BARBARIDADE".


Esquina da $orte



" Eu vivo esperando e procurando um trevo no meu jardim. Quatro folhinhas nascidas ao léu me levarão pertinho do céu..."

Os pedestres que transitam na esquina da Rua General Roca com Santo Afonso, na Tijuca, têm mais facilidade para desejar boa sorte no ano que se aproxima. Podem fazer isto três vezes por semana.
Morador do bairro há 60 anos, seu Aylton Bousquat, de 91 anos de idade, vende trevos de quatro folhas há duas décadas naquele local. Ele acorda às cinco horas da manhã e vai com o carrinho de feira para o ponto - sempre às terças-feiras, quintas e sábados, das sete e meia da manhã à uma hora da tarde. Aposentado, antes de "vender a sorte" este simpático senhor era Contador da Light.
— Comecei a vender trevo por acaso. Uma vez achei uma mudinha na rua, levei para casa, coloquei num canteiro e pegou. Hoje, esse meu trabalho é uma distração.
Seu Aylton não espalha bons fluídos apenas no Rio. Quando vai a São Paulo visitar parentes, distribui o amuleto no avião, nas ruas e para todos os familiares.

Sempre falando o bordão "Leva a sorte por um real,leva",o senhor é a certeza de que já foi o tempo em que a sorte estava no poço dos desejos.Hoje,ela se encontra em uma folha de 4 trevos e é "um real" acontecimento.

16 novembro 2005

IndiGENTE


Uma cena que já é comum no nosso cotidiano,hoje fez com que eu ficasse parada,observando o que acontecia: um senhor,com cabelos brancos feito a neve,calça jeans,blusa pólo verde e havaianas-ele aparentava ter mais de 80 anos- estava largado em uma movimentada calçada na Tijuca.
Com certeza por umas duas horas(tempo que demorei na rua) aquela calçada suja,por onde caminham cidadãos que sequer olham para onde pisam,foi o local que o acolheu.
Ao anoitecer lá estava ele,deitado,com aquela aparência de fragilidade,com os chinelos ao lado.
Talvez aquelas pessoas que ficaram ali paradas ao redor desse senhor sejam as que ainda se preocupam com o próximo-e uma observação curiosa: a maioria era homem.
Pois então eu pergunto: será que o coração masculino é mais solidário?
A ambulância do Corpo de Bombeiros chegou.Fiquei ali,olhando para aquele homem solitário-alguma história ele já teve.Algum dia já foi considerado "gente" e não indi"gente".
E lá se foi o velho homem,preso na maca.Seu destino?Deve ter sido algum hospital público.Por um tempo,vai ter cama e comida;mas logo vai voltar às ruas e se alimentar da solidariedade humana.Se depender disso,acredito que vá passar fome.

13 novembro 2005

O "Q!" -eu encontrei.



" Um comunicado EXTRA: em uma FOLHA do JORNAL do BRASIL,há uma matéria sobre O DIA em que um jornal será lido em MEIA HORA.O GLOBO jamais pára de girar.As informações correm no tempo.Tudo isso é um LANCE genial.Mas o Q! será que ainda vão inventar?"

Outro dia,conversando com uma amiga ao telefone,saiu o assunto sobre o Q!...Não,eu não me esqueci sobre o Q! falamos.Foi sobre isso mesmo,gente, o Q!
Coincidentemente,no dia seguinte,meu namorado escreveu sobre o Q! no blog dele...bem,sobre o Q! ele escreveu eu sei,afinal, li o blog inteiro. O Q! não estávamos entendendo era o motivo do misterioso Q!.
Sábado, no banheiro de um restaurante,uma propaganda dentro da cabine: "O que você está fazendo aí parado"(era mais ou menos assim)...pelo pouco tempo que permaneci na cabine,fui informada de Q! o tablóide é vespertino e sai de segunda à sexta,sempre às cinco horas da tarde.
Mas você acha o Q!,Q! vai encontrá-lo em qualquer banca? O Q! é isso!Apenas naquelas maiores,perto dos shoppings.Foi o Q! me informou um jornaleiro.
Cheguei em casa no domingo e o Q! estava em cima da minha cama????O Q! Não, isso não é um jogo de repetição.Era ele,gente, o Q!
O Q! será Q! ainda vão inventar?Ah,sim,ainda faltam os tablóides com as outras cinco perguntas básicas: Por que? Quem?Quando?Onde?Como? Eis aqui a sugestão.

Padreofolia



Abuso sexual deve ser o pior crime que uma pessoa pode sofrer.
Ainda mais quando a vítima é uma criança. Histórias de pedófilos já tornaram-se públicas e muitos casos ganharam enorme repercussão.
Um acerbispo de São Luis,Dom Paulo Ponte,confessou que sabia que o padre Felix Carreiro,subordinado dele,era pedófilo.Guardou segredo e nada fez. O padre Felix é acusado de ter cometido abuso sexual contra 15 menores.
Outro dia em um programa de TV o assunto abordado era esse;um padre,quando perguntado por telefone,se a justificativa para tal ato era o celibato,ele negou e disse:" A maioria dos pedófilos é pai de família etem vida sexual".
A cada dia,mais "descrente" estamos:não podemos confiar na política,nas promessas e,pelo visto,em alguns padres.Os cidadãos deveriam se reunir para combater esse crime;Abaixo a padreofolia.Mas que fique claro:há os padres honestos.

11 novembro 2005

100surado



Domingo,um pouco mais das quatro horas da tarde.Estreiava o Programa do Raul Gil na Bandeirantes.Em uma passada de canais,parei diante a "atração" que estava no ar:era um concurso,desses de "criança prodígio".
No palco,uma menina dançava como gente grande-tamanha a desenvoltura,poses,gestos,vestimentas e maquiagem. A idade? Menos de 10 anos,podem acreditar.
Com certeza estava "imitando" um desses grupos que invade a nossa casa e causa dor de cabeça a alguns pais.Àqueles que no fundo,têm ou tinham vontade de ganhar os holofotes,isso não é problema;e sim solução.
Bundas e peitos estampam a nossa televisão brasileira.Cadê as nossas crianças,de vestido,brincando de roda e cantarolando cantigas?Aos 5 anos elas têm o conceito de que "pau que nasce torto,nunca se endireita,menina que requebra,mãe,pega na cabeça".
A polêmica do tão esperado beijo entre um casal gay da novela das oito América,da Tv Globo,repercutiu o mundo. O beijo não aconteceu,ou melhor,aconteceu mas foi censurado pela alta cúpula da Tv Globo.Em uma outra novela,também das oito,havia um outro casal de gay-desta vez,o romance era entre 2 meninas.E teve beijo.
Não estou aqui para discutir o beijo,mas sim a CENSURA,que deveria existir nos programas dominicais vespertinos,em reportagens que transformam,muitas vezes um "ambiente ruim" em um "ambiente de paz" e incentivam adolescentes à essa "Festa no Apê".
Todos têm direito à expressão sim-mas seria bom se ouvíssemos informações importantes e víssemos matérias e programas que nos acrescentassem algo-assim,falaríamos menos besteira- uma reprodução do que a gente vê.

06 novembro 2005

Apagão na Cidade-Luz




-Quel temps fait-il? (Como está o tempo?)
-Il fait mauvais. (O tempo está ruim.)

Paris,conhecida como a Cidade-Luz vem sofrendo um dos piores "apagões" já vistos na história.

"Comment cela est-il arrivé?" "Je ne sais pas". (Como aconteceu isso? Eu não sei.)

O motivo? A desigualdade social temida pela população.
Em Clichy-sous-Bois,subúrbio da cidade luxuosa,há 28 mil moradores;a maioria é imigrante africano,descendente ou possui menos do que 25 anos de idade.
Muitos estão desempregados e lutam para sobreviver. Em Clichy,apenas 47% dos moradores têm nível superior. Muitos foram para a França em busca de uma oportunidade-mas a oportunidade de mostrar aos franceses que têm dignidade parece não existir.
Nessa "escuridão" a raiva e a violência contra o povo "noir"(preto) vêm tirando vidas.
São hostilidades em um ponto de ônibus-com tapas e pontapés em um rapaz.Carros são queimados-quase 900.
O medo toma conta da Europa,que teme que a revolta se espalhe.
Os problemas rodam mundo afora.O que não pode acontecer é que se "apague" a luz- Luz da cidade,luz de olhares sonhadores.Luz da vida.