O manuseio de conhecimentos

Manusear o jornal é uma boa pedida para quem quer ficar informado.Manusear livros é uma boa maneira de abrirmos nossos horizontes e nos aprofundarmos em assuntos interessantes.
Acessar a internet é uma boa para quem prefere "navegar" nos acontecimentos e ficar "plugado" com a realidade;mas de uma maneira virtual. Seja no manuseio de folhas ou num "click",sempre é válido buscar informação.
"A arte de fazer um jornal diário",escrito pelo jornalista Ricardo Noblat é uma boa opção de leitura. Gostei muito e por isso resolvi escrever um pouco sobre essa leitura.
Acessem ao que escrevi.Folheem o livro.Vale a pena.
Jornal- substantivo masculino-1: gazeta diária; diário.2: noticiário.
Sete horas da manhã. O café está na mesa e o jornal, com notícias tão frescas quanto ao pão quentinho que é degustado, está na poltrona, esperando o momento de ser "degustado".
Seu João senta-se, abre o jornal e, a cada virar de página, observa atentamente, o que está acontecendo no mundo. Em um leve cochilo, o pensamento de seu João começa uma viagem e assim, imagina como cada etapa é feita até que se tenha a "informação completa"- objetiva e clara.
Para orientar pensamentos em um cochilo como o de seu João, o jornalista Ricardo Noblat faz um resumo ilustrado por histórias que vivenciou e nos mostra algumas previsões realistas para os que não cochilam na poltrona, mas sim, buscam conhecimento em sala de aula para se tornarem profissionais consagrados de jornalismo. Para estes, a obra é imprescindível, afinal, o conteúdo é informativo e deve fazer parte dessa bagagem de aprendizado. O texto, escrito com palavras simples e com um leve humor, torna a leitura mais prazerosa e menos sisuda.
Aparentando ser dono de uma boa memória, o jornalista deixa explícito que para escrever o livro baseou-se em sua experiência jornalística e parece ser reflexo de seu trabalho como editor no Correio Braziliense.
Deixando os alunos de jornalismo preso às cadeiras, Noblat dá uma aula de conhecimento e explica o que acontece no jornalismo cotidiano daquele que lida com a notícia e também retrata o desafio de se fazer um jornal diário; as dificuldades e realizações.
" A arte de fazer um jornal diário" reúne lições de ética, estilo e técnicas de como se fazer uma boa reportagem. O tom em que essa aula de conhecimento é passada provoca uma sensação de intimidade, desarmando até os que parecem ter um certo receio.
Na poltrona, seu João parece estar inquieto. Nesse momento, uma questão é abordada: o autor faz com que leitores pensem e questionem o destino que os jornais tendem a tomar; até porque nessa "Era informatizada", as antigas folhas soltam podem ser manuseadas, daqui há um tempo, somente em um "click". Dessa maneira, as notícias serão "acessadas" e "deletadas".
Partindo do princípio de que a fórmula atual dos tablóides é obsoleta e arcaica, o jornalista propõe uma mudança radical na estrutura, já que para ele, o público que lê jornal envelhece a cada dia sem ser renovado, explicando que dessa maneira, a tendência é os jovens procurarem a internet, por ser moderna e atual como eles. Ricardo ainda defende a teses de que o jornalismo opinativo seria capaz de atrair um número maior de apreciadores de "notícias em folhas de papel".
Sempre atento ao cotidiano, Ricardo Noblat aborda a relação entre pais e filhos, relacionando o fato de os editores só pensarem em fazer o jornal para que os pais leiam, não se preocupando com o público mais jovem- os filhos. Para alguns jornais, a diversão para os mais novos parece só existir aos domingos, quando vêm as histórias em quadrinho em um caderno especial, juntamente com curiosidades.
A partir dessa observação, o autor revela que os jornais estão tendo uma queda significativa nas vendagens e publicidade e, a sugestão é que se comece a investir mais em reportagens, principalmente por um jornalismo independente.
A polêmica entrevista que o jornalista fez com o sociólogo e autor do livro " Casa grande & Senzala", Gilberto Freire, é um atrativo a mais, pois retrata a verdadeira face de uma boa entrevista.
De todos os assuntos descritos no livro, a relação das fontes com as informações em "OFF" pode ser considerada uma das mais relevantes pois envolve m princípios éticos e legais.
O ápice do trabalho do jornalista são os bastidores da concretização de um jornal e a análise crítica dos textos dele que deixa claro que escrever bons textos não é sinal de talento e sim, classifica, como resultado de boas leituras e momentos de ponderação.
O telefone toca. Seu João acorda no susto. O cochilo foi uma aula de conhecimento e uma volta ao tempo à época em que era um dos alunos que sentava nas cadeiras da sala de aula de um curso de jornalismo, mas que jamais dormiu no ponto. O jornal é fechado. Amanhã, no café, o "pão quentinho", mais uma vez, vai ser esperado com ansiedade e devorado. Talvez o cochilo venha, mas na memória, o aprendizado permanece acordado.



